Brasil:
liderança histórica da biotecnologia
aplicada à cana-de-açúcar

O Brasil é
pioneiro no desenvolvimento da biotecnologia
de cana-de-açúcar no mundo. Em
meados da década de 80, a Copersucar
já desenvolvia o primeiro projeto de
mapeamento genético da espécie
Saccharum spontaneum, uma das ancestrais das
variedades comerciais de hoje. Do interesse
mundial despertado por esta pesquisa, nasceu
o Consórcio Internacional de Biotecnologia
de Cana (ICSB) – um grupo formado por
instituições de mais de 15 países
–, cujos estudos colocaram a cana-de-açúcar
no papel que assumiu hoje para a geração
de bioenergia.
Aquelas
descobertas permitiram entender melhor a genealogia
da cana e, por conseqüência, a constituição
genética dos híbridos comerciais.
Do ponto de vista empresarial, foi um grande
negócio, uma vez que traduzir o genoma
da planta significa, entre outros benefícios,
explorar a possibilidade de diminuição
do tempo para obtenção de novas
cultivares – hoje, de 12 a 15 anos.
Uma
das líderes no desenvolvimento da biotecnologia
agrícola, foi a empresa Monsanto, que
tem avançado nas pesquisas com cana-de-açúcar
transgênica Bt e RR no Brasil. Seu projeto
está sendo elaborado em parceria com
a Alellyx/Canavialis (empresas subsidiárias
do Grupo Votorantim). A variedade vem de encontro
com a demanda mundial por novas matrizes energéticas
sustentáveis e renováveis, e o
etanol é o que melhor responde às
expectativas. De acordo com a Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE), o etanol de cana-de-açúcar
produzido no Brasil permite reduzir as emissões
de CO2 na atmosfera em até 80%, em relação
aos combustíveis fósseis. A título
de comparação, o etanol de milho
reduz as emissões apenas entre 20% e
50%.
O
primeiro impacto significativo da cana Bt será
o seu uso no controle da broca-da-cana (Diatraea
saccharalis), uma praga tradicionalmente administrada
pelo uso de controle biológico com a
vespinha (Cotesia flavipes). Mas esta técnica
demanda grandes investimentos. A cana geneticamente
modificada (GM), por sua vez, terá resistência
à broca 24 horas por dia, nos sete dias
da semana.
A
cana-de-açúcar tolerante a herbicidas,
como o glifosato, permitirá ao agricultor
uma facilidade no manejo de ervas daninhas nunca
antes imaginado. Todo o trabalho envolvido na
renovação da lavoura, o controle
muitas vezes ineficiente e inadequado, a fitotoxicidade,
as reboleiras de mato que precisam ser “catadas”
à mão, as altas infestações
de tiririca e grama-seda, tudo isso se tornará
uma lembrança quando a cana transgênica
estiver disponível.
O
Brasil é o único país do
mundo com empresas privadas e pelo menos três
instituições públicas de
alta tecnologia (Ridesa, IAC e Embrapa) desenvolvendo
variedades GM. Este cenário, que só
tende a evoluir nos próximos anos, reflete
o quanto é estratégico para a
economia do País o fomento à pesquisa
em biotecnologia e ao desenvolvimento tecnológico
da indústria canavieira.